Sobre a Acessibilidade: quantas pessoas com necessidades especiais há em Portugal?

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Os responsáveis pelos sites de comércio electrónico e os comerciais dos grandes portais passam bastante tempo a olhar para as estatísticas dos seus sites. Tentam ver quem são os seus visitantes, quais os produtos em que estão interessados, e como chegam a esses produtos.

É costume ouvir estes responsáveis dizer que não precisam de se preocupar com a acessibilidade porque não têm utilizadores com necessidades especiais (pessoas com algum tipo de deficiência) a usar o site, ou se têm, são poucos. Algumas das principais desculpas são porque é preciso mais desenvolvimento para criar/alterar o site, e dá mais trabalho… No entanto, é impossível saber se há ou não utilizadores com algum tipo de deficiência a usar o site. Nas estatísticas, um utilizador com necessidades especiais é contabilizado como sendo um utilizador igual aos outros.

Os dados que existem actualmente para contabilizar o número de pessoas com necessidades especiais em Portugal são escassos e que eu saiba ainda não foi feito nenhum estudo dedicado ao uso da web por estas pessoas.

Numa pesquisa rápida pelo site do Instituto Nacional de Estatística descobri um estudo sobre o Enquadramento familiar das pessoas com deficiência (baseado nos Censos de 2001) que contém alguns dados interessantes.

Em 12 de Março de 2001, o recenseamento da população apurou 636 059 pessoas com deficiência (6,1% da população residente total) distribuídas pelos seguintes tipos de deficiência:

  • Auditiva: 13,2%
  • Visual: 25,7%
  • Motora: 24,6%
  • Mental: 11,2%
  • Paralisia Cerebral: 2,4%
  • Outras: 23%

Podem parecer poucos (felizmente), mas não deixa de ser uma fatia importante da população que também deve ter acesso à informação, tal como todos os outros. Ao tornarmos um website mais acessível, estamos a facilitar a vida a estas pessoas, quer sejam deficiente visuais que usem um screen-reader, ou deficientes motores que usem outros dispositivos apontadores em vez do rato.

Aliás, é mais provável que estas pessoas usem mais a web no dia-a-dia do que o mundo físico. Imaginem fazer compras num hipermercado sem conseguir ver. É muito mais fácil (se o site for minimamente acessível) fazer as compras online do que andar a vaguear pelos corredores do hipermercado sem quaisquer pistas auditivas ou tácteis para saber que tipo de produtos estamos a comprar.

Criar um site acessível (ou transformar um site já existente) não é uma tarefa complicada. Não dá assim tanto mais trabalho do que o normal (talvez no início seja necessário investir algum tempo a investigar como é que se deve fazer o site, mas após algum tempo é muito mais fácil e directo).
E se estamos a tornar um site mais fácil de usar para pessoas com necessidades especiais, estamos também a torná-lo mais fácil de usar para todos os outros.

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Sobre este Artigo

 

Sobre o Autor...

Ivo GomesIvo Gomes tem 30 anos e é licenciado em Ergonomia pela FMH. Durante o curso especializou-se em Ergonomia de Sistemas de Informação e actualmente é líder do Departamento de Usabilidade e Qualidade do SAPO.

É sócio da Associação Portuguesa de Ergonomia, da Usability Professionals Association, e sócio fundador e membro do Conselho Directivo da Associação Portuguesa de Profissionais de Usabilidade.

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