O que a Ergonomia tem a ver com Sistemas de Informação?
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2004
O título do meu site pessoal é: “ivogomes.com | ergonomia e sistemas de informação”. No entanto, há muita gente que não consegue relacionar a ergonomia com os sistemas de informação. Para a maior parte das pessoas, a ergonomia serve para fazer cadeiras mais confortáveis, mobiliário de escritório ergonómico, prevenção de lesões músculo-esqueléticas, etc…
Quando se fala em ergonomia aplicada aos sistemas de informação, toda a gente pensa logo nos ratos e teclados ergonómicos, nos apoios para os pulsos e todos aqueles equipamentos que facilitam a nossa interacção com o computador.
Pois bem, a ergonomia é isso mesmo … e muito mais! Antes sequer de se falar em usabilidade, já os ergonomistas falavam em design centrado no utilizador. Com a evolução dos sistemas de informação foi começando a haver uma maior preocupação ao nível do conforto dos utilizadores. No princípio apenas havia a preocupação com o conforto físico, no entanto, com a globalização dos computadores em virtualmente qualquer posto de trabalho, tornou-se importante estudar a melhor forma de apresentar a informação aos utilizadores de modo a evitar erros humanos.
Muitas vezes dizemos que a causa de um acidente foi devido a erro humano. Pois bem, mas nós os ergonomistas dizemos: “O que causou esse erro?”
Na maior parte das vezes o erro humano é causado por uma deficiente concepção do posto de trabalho, ou por um deficiente sistema de informação. Se as informações não forem fornecidas eficientemente ao utilizador, corremos o risco de ele cometer um erro.
A ergonomia nos sistemas de informação preocupa-se em conceber sistemas amigos do utilizador que sejam fáceis de utilizar e fáceis de compreender, ou seja, que sejam intuitivos (sem necessidade de aprender como funcionam devido à sua própria facilidade de uso).
Há até quem diga que os equipamentos que trazem manual de instruções não foram bem concebidos, porque se fossem concebidos de forma ergonómica, seriam tão fáceis de usar que não seria necessário sequer ter um manual de instruções… Eu pessoalmente acho que isso é mpossível porque não depende apenas do sistema, mas também da pessoa que o vai usar e da sua cultura. Às vezes um equipamento é bem aceite numa região do mundo e é completamente abandonado em outra região. Isto acontece devido às diferentes culturas e à sua forma de compreender o mundo.
Desta forma, como ergonomista especializado em sistemas de informação, tenho como função tornar a interacção homem-computador o mais simples possível para que, até uma pessoa que nunca tenha usado um computador, possa compreender como funciona o sistema e possa usá-lo sem quaisquer limitações.
Para mais informações, há um artigo em português sobre a história da usabilidade escrito pela Renata Zilse em que ela entrevista a Professora Anamaria de Morais (que tive o prazer de assistir a várias comunicações suas no mês passado no Congresso de Ergonomia dos Países de Língua Oficial Portuguesa).
Ivo Gomes tem 30 anos e é licenciado em