25% dos utilizadores web são deficientes
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006
Sabiam que cerca de 25% dos utilizadores da Internet têm algum tipo de incapacidade e como tal têm problemas de acessibilidade? Alguns podem ser cegos, amblíopes, disléxicos, ser deficientes motores, etc… e como tal a sua forma de verem a web é totalmente diferente. Estas são as deficiências funcionais.
Além deste grupo de pessoas já conhecido e identificado, começaram também a aparecer as pessoas com deficiências técnicas. O que são as deficiências técnicas? São pessoas que navegam com aparelhos sem fios (telemóveis), ligações lentas, browsers antigos, leitores de RSS, etc…
A percentagem de “deficientes técnicos” é maior do que a de “deficientes funcionais” (segundo dados norte-americanos, cerca de 12% são deficientes funcionais) e juntando os dois grupos chega-se a este número: 25% dos utilizadores são deficientes (estudo do Centro Dinamarquês para a Acessibilidade – em Dinamarquês!).
Para saberem mais, leiam este artigo onde os autores (Jesper Rønn-Jensen e Thomas Watson Steen) fazem referência também a artigos de Jakob Nielsen e Jeffrey Veen sobre a usabilidade e acessibilidade de dispositivos para pessoas com deficiências.
Desta forma, temos sempre que ter em conta a acessibilidade no desenvolvimento de qualquer aplicação ou corremos o risco de deixar de fora um quarto da população. Segundo este estudo não basta desenvolver tendo em conta os problemas de acessibilidade relativos aos deficientes funcionais. É preciso também ter em conta os deficientes técnicos e devemos desenvolver sistemas que funcionem no maior número de plataformas possíveis. No entanto, não é necessário chegar aos extremos. Tal como na Ergonomia, se desenvolvermos uma solução entre o percentil 5 e 95, abrangemos 90% da população. A relação custo/benefício de desenvolver para 100% da população é pouco produtiva e demasiado custosa.
O que é o Percentil 5 e o Percentil 95?
Imaginem que queremos construir uma casa e temos que definir a altura das portas. Tendo em conta os dados da altura da população, vamos ter os valores normais no centro e os valores extremos nas pontas (os mais baixos de um lado e os mais altos do outro).
Se definirmos a altura da porta para que caiba uma pessoa do percentil 95, então todas as pessoas abaixo desse percentil podem passar sem problemas. Se a altura da porta fosse baseada no percentil 100, teriamos uma porta com cerca de 2.40 metros o que seria pouco viável e a probabilidade de encontrar uma pessoa do percentil superior ao 95 é muito baixa para fazer rentabilizar a altura da porta.
E se tivéssemos que definir a altura de uma cadeira? Usariamos a altura do pé até ao joelho dos indivíduos do percentil 5. Desta forma, todos os indivíduos do percentil 5 para cima poder-se-iam sentar na cadeira sem ficarem com os pés a baloiçar (é obvio que um indivíduo mais alto (perto do percentil máximo) sentiria que a cadeira era demasiado baixa, no entanto não ficaria privado de a usar na mesma.
Sendo assim, ao desenvolver entre estes dois percentis cobrimos entre 90% a 95% da população sem que os custos ultrapassem em demasia os benefícios.
Ivo Gomes tem 30 anos e é licenciado em