10 erros comuns da acessibilidade na web
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
Normalmente quem tenta desenvolver websites acessíveis costuma cometer os mesmos erros vezes sem conta. Apesar de tentarem dar o seu melhor para tornar os sites mais acessíveis, por vezes esforçam-se demasiado e em vez de melhorar a acessibilidade, acabam por piorá-la.
Estes 10 exemplos mostram aquilo que NÃO DEVE SER FEITO, mas que costumamos ver recorrentemente
1. Usar frases grandes no texto ALT das imagens
Alguns web designers costumam inserir demasiado texto alternativo (ALT) nas imagens na esperança de que isso irá ajudar os utilizadores com leitores de ecrã. No entanto, o texto ALT deve ser curto e sucinto, e não deve conter mais informação do que aquela que é transmitida pela imagem. As imagens decorativas devem ter um ALT nulo (alt="") de forma a serem ignoradas pelos leitores de ecrã.
2. Usar caracteres aleatórios para separar os links
Uma das regras de acessibilidade indica que os links adjacentes (consecutivos) devem ser separados por algum texto sem link uma vez que alguns browsers muito antigos tinham alguns problemas com os links dispostos desta forma. Esta regra já não é relevante apesar de continuar a ser recomendada pelos sistemas de verificação automática, por isso os caracteres que se costumam usar para separar os links (normalmente costuma-se usar uma barra vertical “|”) são anunciadas aos leitores de ecrã como “barra vertical”, o que atrapalha bastante a navegação destes utilizadores na página.
3. Inserir texto nos campos vazios dos formulários
Outra recomendação antiga e desactualizada indica que os campos dos formulários devem conter um texto de exemplo. Esta regra foi criada porque os antigos leitores de ecrã não conseguiam encontrar os campos que se encontravam vazios. Actualmente, todos os leitores de ecrã conseguem identificar todos os campos dos formulários, pelo que esta regra pode ser ignorada.
4. Usar teclas de atalho
Podemos associar uma tecla de atalho para aceder a um determinado link através do teclado. No entanto, estas teclas de atalho sobrepõem-se às teclas dos leitores de ecrã, tornando-as inúteis. O outro problema das teclas de atalho é o de não haver nenhum standard, por isso os poucos sites que as implementam usam as teclas que bem lhes interessam, tornando difícil a criação de um modelo mental que funcione de mesma forma em todos os sites.
Em termos de acessibilidade, o uso destas teclas pode ser mau, mas em termos de usabilidade pode ser algo muito bom. A navegação pelo teclado é muito mais rápida do que a navegação com a movimentação do rato+clique. Por isso, neste aspecto é necessário criar um compromisso. Se queremos melhorar a acessibilidade, não usamos teclas de atalho, mas se queremos melhorar a usabilidade, podemos usar o teclado, desde que as teclas seleccionadas não se sobreponham às teclas de atalho do próprio browser e que haja uma página que explique todos os atalhos existentes.
5. Usar resumos nas tabelas (só são importantes se adicionarem valor à tabela)
Os leitores de ecrã lêm em voz alta o resumo das tabelas (summary="resumo") antes de iniciarem a leitura dos dados. Alguns websites que usam tabelas para o layout às vezes adicionam estes resumos do tipo summary="tabela de layout", o que não traz nenhum valor à tabela e só atrapalha a navegação de quem usa um leitor de ecrã.
6. Esquecer os conteúdos
A forma como os conteúdos estão estruturados na página é uma grande parte da acessibilidade da mesma. Um website pode ter um código perfeito e estar em conformidade com o nível mais elevado de acessibilidade, mas se os conteúdos estiverem mal estruturados, o site será de difícil navegação ou até impossível para alguns utilizadores com necessidades especiais.
É necessário assegurar que os conteúdos sejam disponibilizados em pequenos pedaços (parágrafos) e acompanhados de um título (cabeçalho). Devem também ser usadas listas (<ul> ou <ol>) sempre qur for apropriado e uma linguagem simples e directa.
7. Preocupar-se com grandes declarações sobre a acessibilidade
Muitos sites desenvolvidos a pensar na acessibilidade costumam ter páginas bastante extensas a explicar as funcionalidades de acessibilidade que foram implementadas. Com ou sem necessidades especiais, os utilizadores não costumam consultar as páginas de “ajuda” de nenhum site. Em vez disso, preferem experimentar e descobrir por eles próprios (a não ser que o site seja mesmo muito difícil de usar, e aí passamos a ter um problema de usabilidade). Apesar de não haver nada de errado em ter uma página a explicar que o nosso site é acessível, não é necessário perder muito tempo com isso.
8. Agonizar com os acrónimos e abreviações
Declarar se alguma palavra é um acrónimo ou uma abreviação é facil de fazer em HTML usando as tags <acronym> ou <abbr>. A maior parte dos leitores de ecrã não suportam estas funcionalidades, por isso não será um grande benefício para os utilizadores com necessidades especiais. Até alguns browsers como o Internet Explorer 6 não suportam este tipo de tags, nomeadamente a <abbr>, pelo que também não se deve perder muito tempo com isso.
9. Alterar a ordem das tabulações (a não ser que haja uma boa razão para isso)
O atributo tabindex pode ser usado para alterar a ordem da tabulação da página (navegação com o teclado usando a tecla TAB), mas raramente é necessário. Os browsers e leitores de ecrã costumam navegar nos sites pela ordem em que os elementos se encontram no HTML. Desde que a navegação seja feita do canto superior esquerdo para o canto inferior direito (o que normalmente acontece) então a ordenação das tabulações está perfeitamente adequada e não necessita de ser alterada.
10. Esquecer-se de ouvir o site num leitor de ecrã
Enquanto estiver a desenvolver um website acessível, não se esqueça de experimentar ouvi-lo num leitor de ecrã para se assegurar que as funcionalidade de acessibilidade funcionam correctamente e que o site é navegável. Além disso, também é recomendável navegar no site usando um browser de texto (ex: Lynx).
Outras considerações
Apesar de haverem regras de acessibilidade que podemos ignorar (ver pontos 2, 3 e 5), quando estamos a desenvolver um website cujo requisito é passar no teste de acessibilidade, por vezes temos mesmo que aplicar essas regras. Isto porque o cliente se poderá queixar de que o seu site não passa no validador X e que nós lhe tínhamos assegurado que o site iria ser acessível e passaria nos testes.
Isto passa-se por exemplo nos sites da Administração Pública que foram obrigados a cumprir as regras mínimas de acessibilidade e que após terem sido implementados há sempre alguém que vai correr a validação de acessibilidade e verificar se passa em todos os pontos, caso contrário o site é tirado do ar. Por isso, dependendo dos casos, as regras terão que ser cumpridas à risca, apesar de já estarem um pouco desactualizadas da realidade.
Ivo Gomes tem 30 anos e é licenciado em